Não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer
Eu quero é viver pra ver qual é, e dizer venha pra o que vai acontecer
(56ª canção: “Envelhecer”, Marcelo Jeneci Da Silva, Arnaldo Antunes, e Ortinho)
Qual o segredo de uma vida longa?
Essa questão tinha nos preocupado desde o começo da história humana. Incentivou-nos a procurar inúmeras maneiras de prolongar a vida. Nas lendas antigas, o segredo era supostamente uma fonte da juventude enquanto, agora, outros tratamentos rejuvenescedores – vitaminas e cremes, yoga e silvoterapia, poções e cristais – se veem na televisão ou online. Até lembro nos anos 80 em Taiwan uma marca de cigarro chamada “Vida Longa”:

A ilustração na capa do maço mostrava um ancião sábio tomando conta de seu grou, símbolo chinês de longevidade. A mensagem? Fumar cigarro para prolongar a vida. Imagina?
Gerontologistas de hoje dizem que não tem um segredo mágico para a longevidade. Pelo contrário, se seguirmos oito práticas simples podemos aumentar nossa chance de aniversariar oitenta, noventa, até cem anos. O necessário é
- seguir uma dieta de comida fresca e saudável
- abster-se de comer demais
- manter-se em movimento
- diminuir a ansiedade e evitar o estresse
- manter laços com família e amigos
- viver em comunidade
- respeitar os idosos e o processo de envelhecer
- sentir algum senso de espiritualidade
Os gerentologistas acham que, salvo para indivíduos sofrendo de condições hereditárias como alguns cânceres ou hipertensão arterial, essas práticas podem prolongar a vida para muitos. É só uma questão de mantê-las desde tenra idade.
Recentemente tive a oportunidade de passar alguns dia na ilha de Okinawa, lugar com a maior percentagem de centenários no mundo. Okinawa é uma das cinco “zonas azuis” identificadas como centros de longevidade. As outras são Ogliastra na Sardegna, a ilha de Ikaria na Grécia, a Península de Nicoya na Costa Rica, e a cidade de Loma Linda na Califórnia. Segundo gerentologistas, as práticas acima se destacam em cada zona azul.
Realmente não sei se eu vi centenários ou não durante minha visita em Okinawa. Mas posso dizer que nas cidades de Naha e Ginowan, havia certamente anciões nas ruas e nos parques. Embora alguns deles fossem curvadas e andassem com bengala, tinham uma vitalidade admirável. Por exemplo, vi este casal fazendo exercícios numa banca no Parque de Ginowan:

e dois jovens ajudando uma mulher idosa com um treinamento de caminhar de costas:

Também encontrei anciões nos restaurantes e no mercado municipal. Nesses dois lugares era óbvio que a comida é bem saudável. No mercado, por exemplo, muitas pessoas pediram goya champuru, um salteado de tofu, melão-de-são-caetano e um poquinho de carne de porco:

As pessoas idosas saboreando este e outros pratos de baixa caloria estavam conversando, rindo, e valorizando cada momento juntos. Atrevo-me a dizer que a vitalidade e alegria, essa razão de viver, que os anciões okinawenses, seja na praia ou no mercado, demostram seriam cobiçadas de muitos de nós.
Durante minha visita a Okinawa, eu celebrei meus 64 anos com amigos okinawenses. Eu sei, eu sei: comparado com os anciões de Okinawa, sou ainda bem jovem! Mas com cada aniversário fico pensando na longevidade e na razão (ou razões) de viver. Isso não quer dizer que estou cismando com minha idade e com o envelhecimento. Tampouco penso em situações hipotéticas como “se eu tivesse feito isso em vez de aquilo seria mais _____ [preencha com qualquer adjetivo]”. Não faço nada disso, não. O que faço é refletir um pouco sobre os anos que eu já vivi e sobre os anos que me sobram. Coisa natural eu acho.
Estou tentando aproveitar cada momento agora, achar diariamente algo positivo que me traz alegria e satisfação. Quero manter e fortalecer meus vínculos com amigos, família e a comunidade. Quase todo dia, consigo ficar na positiva e por isso estou muito grato.
Quero fechar esta postagem, se me permitem, com algumas palavras sobre meus pais brasileiros que se vêem abaixo celebrando setenta anos juntos:

Quando tinha 17 anos passei quase um ano com esse casal maravilhoso e seus sete filhos. Foi, e ainda é, um privilégio de ser o oitavo filho!
Se alguém analisar a vida deles será bem evidente que estão seguindo as práticas para longevidade mencionadas acima. Ou seja, meus pais brasileiros construíram sua própria zona azul em Belo Horizonte. Mas cada vez que lhes pergunto sobre a longevidade o segredo deles é bem mais simples:
Peter: Por favor, qual é o segredo de uma vida longa?
Mamãe: Amor, meu filho, amor.
Papai: E vinho!
