A amizade sincera
É um santo remédio
É um abrigo seguro
(72ª canção: Amizade sinceira, Renato Teixeira)
Maíne é a primeira pessoa da Bahia que conheci de verdade na minha vida. Até o momento em que eu encontrei a jovem baiana em 2019 através do Italki, um site de aprendizagem de línguas, a única Bahia que podia visualizar era aquela Bahia romantizada nas obras de Jorge Amado ou em canções como “O que é que a baiana tem?”, “Você já foi a Bahia?”, ou “Tarde em Itapuã”.
Durante horas e horas de conversas no Skype, especialmente no período da pandemia, Maíne me mostrou que a Bahia é mais do que isso. Falou-me do interior baiano, da vida universitária em Salvador, da comida cotidiana de sua família, dos problemas de transporte e segurança na capital, das belezas do Farol da Barra e da Chapada Diamantina.
Em suma, aprendi muita coisa sobre a Bahia graças a Maíne. Durante nossas conversas me lembro pensando, “Que bacana seria visitar Maíne na Bahia.”
Após cinco anos de amizade, tive a oportunidade de visitar Salvador em 2024. Mas, Maíne não estava lá porque já tinha se mudado ao Canadá para fazer o doutorado em Sociologia. Mesmo não estando comigo, cada lugar que visitava naquela linda cidade me lembrava dela e das nossas conversas: o Pelourinho, a Barra, o Largo de Santo Antônio, o Museu da Gastronomia Baiano, o Elevador Lacerda. Gostei muito de minha breve visita a Salvador mas foi uma pena que não pude fazer a visita com Maíne, pois queria conhecer a Bahia junto com esta baiana raíz.
Por fim, JJ e eu encontramos Maíne em Ottawa, quando estávamos viajando no Canadá no mês de julho em 2025. Ela nos esperava em frente de nosso hotel. Abraçamos-nos e imediatamente começamos a falar em inglês e português. Como o caso de outros parceiros de língua virtuais que tive a oportunidade de visitar mais tarde, o encontro com Maíne foi natural, como se fosse uma conversa de vizinhos. Foi mais uma prova das fortes amizades possíveis através da Internet.

Passamos dois dias com Maíne. Fazia bastante calor naquela época do ano, mas deu para fazer caminhadas em Ottawa e, mais tarde, num parque florestal na província vizinha de Québec. Fizemos refeições deliciosas em vários restaurantes. Também visitamos, claro, uma sorveteria para fugir do calor. E durante toda a visita, falamos de muita coisa. Alguns assuntos foram bastante sérios como eventos atuais na Bahia e no Brasil, a história dos afro-americanos escravizados que escaparam para o Canadá antes da Guerra Civil nos EUA, e a política no Canadá, Brasil e Nova Zelândia. Outros assuntos foram muito mais leves: como sobreviver ao inverno canadense, incluindo evitar quedas nas ruas congeladas de Ottawa; a péssima qualidade do café no Canadá, um fato difícil para brasileiros morando lá; e como sentimos depois de comer la poutine – um prato distinto e pesado de Québec – pela primeira vez.
Sim, falamos de muita coisa. Mas o que vou lembrar mais da nossa visita foi uma pequena caminhada que fizemos depois de jantar a primeira noite em Ottawa. Saímos do restaurante e Maíne nos mostrou a Colina do Parlamento, uma coleção dos prédios majestosos do governo canadense. Ou seja, em vez de nos mostrar sua terra natal, ela nos fez um passeio da capital canadense. Durante todo o passeio na Colina, não pude deixar de pensar que essa jovem mulher saiu sozinha do interior da Bahia para completar seu sonho de fazer o doutorado no Canadá. Admiro o que a Maíne conseguiu fazer até agora. Não tenho dúvida alguma que ela vai ter mais sucessos nos próximos anos.
Para terminar esta postagem, quero responder a uma pergunta do letrista Dorival Caymmi: “O que é que a baiana tem?” No caso da minha amiga Maíne:
Tem coragem, tem / Tem empenho, tem / Tem integridade, tem / etc. etc. …









